Não é que "mais vale um pássaro na mão...", nada está garantido (tampouco “caprichoso”, lembrando das disputas amazônicas...), é só um medo sutil de não ouvir mais nenhum canto, de que nenhuma ave airosa retorne aos jardins da menina, que não terá a coragem de prender nenhum pássaro amado (mesmo numa gaiola belíssima, digna de “um pássaro que se ama muito”¹). Ela sente que suas asas frágeis estão ficando cada vez mais firmes, ainda que leves, mas com aquela gostosa sensação de que também poderá voar, a qualquer momento, e para onde quiser.
Denise Viana * Psico-Poeta
¹ Citação do Conto "A menina e O Pássaro Encantado" de Rubem Alves