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sábado, 27 de setembro de 2014

Amar sem tempo

Entre os tempos do amor
E tempos para amar
Sobra relógio
E falta pele

O presente vira uma lembrança
E o desejo se disfarça de medo
Não, não é da solidão

É da norma
Da regra
Da lei
Do padrão

Tem muita penitência
Pra pouco pecado
As contas não batem
Mas as portas sim

Toda escolha tem seu preço
Todo amor tem seu valor

E ele pode estar
Ou ele pode estar vindo
Se é que ele 
não já passou.

                                                          Denise Viana

domingo, 28 de abril de 2013

tempo e ser


odeio...
não ser presente
não estar presente
viver no hoje a angústia pelo que ainda não chegou 
ou pelo que já passou e não pode ser mudado.

odeio...
toda a incerteza e o medo do amanhã
toda a saudade de um ontem que não voltará
toda a poesia vã
e o desejo de pra ela voltar.

mas odeio principalmente,
esta humanidade que me dá
este sentimento que me impede
até mesmo de odiar.


                                                Denise Viana 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Escolhas...

Pelas Barbas do profeta!
Como eu queria ter algumas respostas...
Como o futuro me pertuba!

O que fazer para viver o hoje?
Com entregas despreocupadas
Desmedidas, perdoadas...

E logo eu, que não sou de me culpar
De julgar, de sofrer pelo medo
Ou se angustiar antes mesmo do tentar!

O que fazer das escolhas?
E com as alternativas eliminadas?
Aonde marcar o x?

Posso até mudar de escolha
Mas nunca é do mesmo jeito
E seja qual for, sujeito-me à consequências variadas...

Como fazer
Para que as exigências do meu ser
Não se conflituem com as exigências da realidade?

Como não ter medo de escolher?
Se nestas escolhas há limitações
Distâncias, perdas, novidades...

Dá vontade de gritar:
"Que se dane!"
Mas como não pensar no que poderá se danar?

E se as coisas boas forem danificadas?
O novo me chama
Me convida, me instiga e me dá medo...

Mas vou tentar conciliar
Os prazeres e os deveres
Os desejos e as escolhas.

Talvez o medo não acabe,
Mas sei que ele vai mudar de questão
Ao menos, até a próxima indecisão...

Denise Viana * Psico-Poeta