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domingo, 2 de julho de 2017

Aspirações aquáticas

o tempo não reduziu a minha quantidade de indecisões
mas ajudou-me a entender as dúvidas, as escolhas e suas consequências
com graciosidade, Cecília Meireles me ensinou
que não é incomum a ambiguidade
que a vida é feita de séries contínuas de ou isto ou aquilo
e não é necessário classificar qual é melhor do que o outro
reflexivo, Kierkegaard associou a humanidade à contradição
tomando-a como parte da existência, como essência e sentido do viver
com bom humor, Rubem Alves mostrou a beleza do antagonismo
e a possibilidade da selva amar o mar e o mar amar a selva
por isso, eu que sou fogo, já não temo amar a água
ao contrário, a desejo em diversas das suas tantas formas
a contemplo na dança rítmica e força da chuva
e principalmente nos seus maiores aglomerados
na imensidão e profundezas do mar, na sabedoria e delicadezas do rio
nos mistérios do horizonte marítimo, nos limites das margens fluviais
e deliro a cada encontro com o mar, a cada contato com o rio
o tempo passou, e ainda há muitas coisas que não sei
mas sei que gosto da água, e dessa vontade crescente de me molhar.

Denise Viana

sábado, 27 de setembro de 2014

Amar sem tempo

Entre os tempos do amor
E tempos para amar
Sobra relógio
E falta pele

O presente vira uma lembrança
E o desejo se disfarça de medo
Não, não é da solidão

É da norma
Da regra
Da lei
Do padrão

Tem muita penitência
Pra pouco pecado
As contas não batem
Mas as portas sim

Toda escolha tem seu preço
Todo amor tem seu valor

E ele pode estar
Ou ele pode estar vindo
Se é que ele 
não já passou.

                                                          Denise Viana

domingo, 28 de abril de 2013

tempo e ser


odeio...
não ser presente
não estar presente
viver no hoje a angústia pelo que ainda não chegou 
ou pelo que já passou e não pode ser mudado.

odeio...
toda a incerteza e o medo do amanhã
toda a saudade de um ontem que não voltará
toda a poesia vã
e o desejo de pra ela voltar.

mas odeio principalmente,
esta humanidade que me dá
este sentimento que me impede
até mesmo de odiar.


                                                Denise Viana 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fogo?







Quanto tempo dura 
a chama
do seu afeto?



                                                Denise Viana

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando o tempo cronológico já não é o suficiente

Já não se consegue controlar
E as aflições extrapolam os limites dos pensamentos
E o corpo grita ferozmente e clama pelo tempo, pede pra parar

Parece sentir os segundos
Mas as horas se vão descontroladamente
Quer culpar os ponteiros, o relógio, as estações, a vida

Caminha em passos lentos
Come e bebe daquilo que te oferecem
Desconhece dos venenos escondidos atrás dos sorrisos

Tudo parece se dissolver
Nenhuma resposta é satisfatória
Nem mesmo as perguntas já lhe fazem algum sentido

Vai então ao rumo do vento
Tenta esquecer-se do corpo e dos pensamentos
Restam flores no solo úbere, e sementes pedindo para serem regadas.


Denise Viana * Psico-Poeta

sábado, 9 de janeiro de 2010

Vento










O vento
nos cabelos
Sopra meus pensamentos...
Só o tempo
Poderá revelar
Se acertamos
Ou nos confundimos...
Só o tempo
E suas razões sem sentido.
Mas não lamento
Dos muitos erros
Ou dos poucos acertos,
Fizemos tudo
Que nos era possível...
Não somos heróis
Tão pouco bandidos,
Só o tempo
E suas razões sem sentido,
Acalmará nosso mar
E a velocidade do vento
Que sopra
Os meus pensamentos...

Denise Viana