sábado, 28 de outubro de 2017

Amianto, ou, sobre os males da resiliência


Havia dois dias que a música “Amianto”, da banda Supercombo, não saia de meus pensamentos. Talvez sensibilizada pelo olhar triste da menina de doze anos que disse-me há poucos dias da sua desmotivação para viver. Talvez inquieta pelo olhar de ansiedade e medo que vi nos olhos da menina de 11 anos que fui e com quem me encontrei em alguns momentos de meditação. Ou quem sabe a história daquela colega que não estava mais encontrando sentido na vida, ou as constantes e crescentes histórias de autolesão pela cidade e mundo a fora e/ou a soma de tudo na minha rotina maluca. Fato que a música colou em mim. A sonoridade leve, o teclado delicado, a guitarra dramática, os efeitos dançantes, as vozes entregues em uma letra-pedido. Tudo bateu em minha atual sintonia indie rock. Sábia, a natureza parecia alertar para o mais próximo “brincar de morrer” que me alcançaria, até então, alguns dias adiante. E antes que os politicamente corretos de plantão venham grilar com coisas do tipo “não pode usar o termo brincadeira para falar de um tema tão grave”, assinalo que para nós, eu e meus encontros no universo, brincadeira é coisa séria seríssima sim, sim senhor e sim senhora. 

Já era final de noite de mais um longo dia de trabalho. A aula de pilates dera uma aliviada no corpo e o banho acalentou a pele. Eu acabara de aninhar-me ao sofá quando o telefone tocou. “Viu a mensagem?”, “Não”. Havia uma despedida, regada a declarações de amor, agradecimentos pela amizade e pedido de perdão pela desistência da vida. Em seguida foto das três cartelas de remédios supostamente tomados para dar fim a sua dor. Alguém que amávamos queria morrer, e não sabíamos o que fazer. Eu, outra amiga e um amigo tentávamos pensar enquanto nos encaminhávamos rumo a moça que despedia-se, “o que faremos?”, “quais remédios tomou?”, “ela ainda responde as mensagens”, “ela parou de responder”, “liga pro SAMU”. O doutor do serviço de urgência ouviu com atenção a história, reforçou que a medicação era de baixo risco, mas que era importante passar por uma avaliação médica. Nenhuma novidade sob o sol, exceto que profissionais do SAMU não fornecem seus nomes (só pedi porque ele disse pra ligar para ele se algo estivesse diferente quando chegássemos ao nosso destino, ‘como pediria pra falar com ele sem saber quem era?’, até entendo não fornecer o nome verdadeiro, mas seria útil ter um pseudônimo ao menos). Enfim, lá estávamos nós, entrando livremente numa portaria que jamais nos permitiu passar sem a autorização da moradora. “Podem ir, ela autorizou qualquer pessoa entrar”. Encontramos a porta aberta e a dona de um dos sorrisos mais lindos que já vi encolhida no meio da cama em choro silencioso. As lágrimas escorriam pelo rosto e a princípio recusou-se a sair da cama. “Nem relute, você vai”. Tentamos ser práticas, documento, casaco, embalagens dos remédios, chave de casa. Ao entrarmos no carro fiquei pensando que não havíamos apagado as luzes, mas nem comentei, me parecia insignificante naquele momento.  Íamos conversando, tentando mantê-la acordada, as mãos frias, ao seu lado eu sentia os tremores percorrerem seu corpo. Eu lembrava da música da Supercombo, ‘o que a vida aprontou dessa vez?’, era fato que ela pedia ajuda, era fato que lá no fundo, mesmo com toda sua dor, ela não queria morrer, mas dentro de todo o sofrimento interno que passava não conseguia pedir ajuda de outro modo. A história de vida, os segredos guardados, as relações interpessoais, a longa ociosidade, o isolamento social, a falta de metas, a desesperança, um amor que de bandido passou a não correspondido. Uma bomba relógio prestes a explodir. Longa espera até o atendimento. Serviço público. Gente sofrendo de todos os lados. Gente chorando de dor. Ela só tremia. Não haviam mais lágrimas. Dizia sentir dores no estômago, extremidades formigando e um frio interno. Por fora parecia nada sentir, os olhos pareciam distantes. Pedi pra contatar a família, não quis. Fiz um acordo para o dia seguinte. Madrugada a dentro, foi atendida, medicada na veia. Encaminhamento psiquiátrico e orientações dadas, lá fomos nós. 
A trouxe pra minha casa, era impossível deixa-la sozinha e também não tinha como ir pra casa dela no meio do vendaval de uma coleta de dados. Deitando às 3:30 o sono não veio. Tinha que acordar logo mais, mas sabia que não adiantaria forçar a barra. Amianto veio novamente. Chorei um pouco. Pesquisei brevemente sobre do que se tratava o nome da canção que me perseguia. Fibra mineral de propriedades impressionantes, “resistência a altas temperaturas, boa qualidade isolante, flexibilidade, durabilidade, entre outras”. E tudo isso a um “baixo custo”. Parecia descrição do ser humano ‘perfeito’ exigido nos texto de auto ajuda ou nas palestras ‘motivacionais’ que organizações impunham a seus trabalhadores. Não, não é errado ter qualidades que permite lidar bem com os dilemas da vida. Mas é cruel culpabilizar quem não apresenta tais características, ignorando todos os contextos desencadeadores e exploradores ao redor. Também não cabe vitimização, embora o capitalismo faça sim, seletivamente, as suas vítimas. Trata-se de olhar o todo e também as partes. Trata-se de um olhar integral. 
O amianto, a fibra resiliente que foi chamada de o “mineral mágico” do século XX, se tronou “poeira assassina”. Estudos comprovaram a sua periculosidade após a investigação das constantes doenças em trabalhadores da indústria de amianto, da construção civil, mineiros e mecânicos que lidam com freios. Fico me perguntando quando daremos conta dos perigos da exigência do espírito resiliente, das nomenclaturas psiquiátricas a tudo que não se flexiona, não resiste, não supera, não dura e que dá trabalho. É, depressão é coisa séria sim. Tão séria quanto o fingimento de que não temos uma sociedade adoecedora, que quer nos dar manuais para tudo.  Para quem não consegue lidar com seus dilemas tal como prescreve a medicalização da vida nos ditames da sociedade do consumo, viver neste mundo é realmente muito mais pesado, e cria-se qualquer possibilidade para sair dele. 
A moça está sendo cuidada. Anseio ver novamente o brilho da vontade de viver em seus olhos, mesmo entendendo que, às vezes, é de fato difícil não desejar inexistir. Toda as analogias familiares da canção Amianto não são gratuitas. Não, não estou culpando mães e pais. Mas família, socialização primária, é berço para muitas coisas boas e más (não no sentido moral dos termos). Família também é instituição, também segue padrões, também constroem suas pautas com bases socialmente estabelecidas. Também não se trata de acusar as famílias, mas de reconhecer que uma vez que são construções sociais, também podem ser adoecedoras. Desfazer esses nós não é nada fácil. Viver é mesmo  muito perigoso, como já dizia Guimarães Rosa. Para Fernando Pessoa, não é preciso (no sentido de precisão). E foi nesse viés de incerteza, risco e fluidez, e não de resiliência, que fui convencida pela referida música “que a vida é como mãe que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem, e a morte, é como pai que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar, como se não houvesse amanhã”. Você não precisa resistir sempre, nem desistir. Vamos pra um café? Conversar?  Ninguém é de ferro. Tampouco de amianto.
Denise Viana


domingo, 2 de julho de 2017

Aspirações aquáticas

o tempo não reduziu a minha quantidade de indecisões
mas ajudou-me a entender as dúvidas, as escolhas e suas consequências
com graciosidade, Cecília Meireles me ensinou
que não é incomum a ambiguidade
que a vida é feita de séries contínuas de ou isto ou aquilo
e não é necessário classificar qual é melhor do que o outro
reflexivo, Kierkegaard associou a humanidade à contradição
tomando-a como parte da existência, como essência e sentido do viver
com bom humor, Rubem Alves mostrou a beleza do antagonismo
e a possibilidade da selva amar o mar e o mar amar a selva
por isso, eu que sou fogo, já não temo amar a água
ao contrário, a desejo em diversas das suas tantas formas
a contemplo na dança rítmica e força da chuva
e principalmente nos seus maiores aglomerados
na imensidão e profundezas do mar, na sabedoria e delicadezas do rio
nos mistérios do horizonte marítimo, nos limites das margens fluviais
e deliro a cada encontro com o mar, a cada contato com o rio
o tempo passou, e ainda há muitas coisas que não sei
mas sei que gosto da água, e dessa vontade crescente de me molhar.

Denise Viana

sábado, 17 de junho de 2017

Evoé, dona menina!






Foi-se embora dona Zuína
A senhora mais menina
Que esta poeta conheceu
Foi-se embora a cantadeira
A mais amante e namoradeira
Com quem o seu velho conviveu





Não reclamava das mazelas
Não se rendia a querelas
Bastava-lhe o carinho de um bicho
Com o crochê fazia toquinha
E o desejo de uma branquinha 
Era o lema do seu vício





Contava a todos a sua fé
Na oferta de um café
Sem pedir por nenhum ganho
Não negava seu amor
E as travessuras com aquele senhor
Mesmo recusando o banho




Tudo sempre estava bom
Pois ela tinha o belo dom
De agradecer por cada dia
Vá em paz, Zuína querida
Pois sorte teve nessa vida
                                    Quem viu de perto tua alegria 



Denise Viana

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vazio




Tanto faz encher o copo
Se o corpo mantém-se frio
Mais vale um copo pela metade
Do que um corpo completo e vazio.






Denise Viana

sábado, 27 de setembro de 2014

Amar sem tempo

Entre os tempos do amor
E tempos para amar
Sobra relógio
E falta pele

O presente vira uma lembrança
E o desejo se disfarça de medo
Não, não é da solidão

É da norma
Da regra
Da lei
Do padrão

Tem muita penitência
Pra pouco pecado
As contas não batem
Mas as portas sim

Toda escolha tem seu preço
Todo amor tem seu valor

E ele pode estar
Ou ele pode estar vindo
Se é que ele 
não já passou.

                                                          Denise Viana

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Amor e Beleza

Ah o amor!
O amor e a beleza que deslumbra
Da perfeição dos gestos e dos corpos
Que brilham e inspiram
Nas novelas da TV
Nas telas do cinema
Nos perfis das redes sociais...
Ah, o amor!
O amor que eu não quero!
Por que o amor das aparências nunca me satisfez
Dos amores que tive, o que foi sentido ficou
O que era beleza aparente findou
Não fiz/faço questão de parecer o que não sou
Eu me apaixono mesmo é pela verdade invisível
Pelas ações assumidas
E pecados sem disfarces
Das cartas claras sobre a mesa
A sinceridade me encanta e excita
Eu morro de amores pelos amores não vistos
Aqueles lá, que as câmeras não flagram.

Denise Viana

sábado, 19 de abril de 2014

Deixar partir

Foi a quinta-feira mais longa e esperada nas últimas semanas por aquela mulher.
As horas demoravam a passar e o amanhecer foi lento.
Acordou várias vezes na madrugada, com medo de perder a hora.
Enfim, o despertador tocou.
O corpo externo se preparava automaticamente para as atividades laborais do dia.
Mas uma inquietude lhe tomava.
“É hoje!” pensava a cada passo e movimento.
A esperança e o medo se digladiavam dentro de si.
Evitava as expectativas. Evitava pensar muito sobre o assunto.
Há semanas esperava aquele dia, mas não parou de viver para esperá-lo.
Fez tantas coisas e havia outras tantas a se fazer.
Estava tão preocupada com as pessoas queridas que recentemente estiveram com a saúde fragilizada, que pensava ser bobagens as suas preocupações.
Afinal de contas, não estava precisando de cuidados médicos.
Mas ela sabia muito bem que saúde não é apenas bem-estar físico. Aceitou sua aflição.
Não tinha muito tempo, não conseguiu comer nada antes de sair de casa.
Trabalhou sem parar naquela manhã. Até olvidou o compromisso do meio dia.
A consciência esqueceu. E questionava ao corpo interno o porque da taquicardia e agitação.
Uma mensagem no celular. “Cheguei!” ele avisa.
 Recordou o combinado e compreendeu os sinais de ansiedade.
Em alguns segundos, estaria com ele.
O mais amado, mas também o que mais a fez chorar.
Fazia tanto tempo que não o via cara a cara.
Uma “conversa olho no olho”, foi o que ele pediu.
Ela, queria saber se ainda havia amor ou se podia partir sem medo.
O avistou de longe, na porta de casa.
Aquela sua casa onde tantas vezes imaginou a presença dele.
Sorrir com ele. Cozinhar para ele. Dormir ao lado dele.
E lá estava ele. Tão perto.
Falava ao telefone e ela o esperou terminar, de longe.
O viu atravessar a rua enquanto a agonia virava tremor. Tinha fome, era fato.
De comida? Dele? Talvez de ambos.
O abraço não foi como o esperado, as palavras dele também não.
Ela havia criado expectativas, teve a certeza disso e se odiou naquele instante por isso.
O bom humor guiou o diálogo. Demoraram a tocar no assunto.
Comeram, conversaram com os demais presentes, disfarçaram.
Logo após a sobremesa estavam a sós novamente.
Não havia como fugir.
Ela, como sempre, não conseguia disfarçar muito bem o que sentia.
Ele, como sempre, tentava se esquivar. “Conversamos no carro” sugeriu.
Ela não respondeu, apenas sentou no sofá e esperou ele fazer o mesmo. E o fez.
“Tão perto e tão longe” pensou ela nesse clichê.
Olhavam-se. Ele a esperava, mas ela se fez de desentendida, então ele começou a falar.
Tinha muitas dúvidas quanto ao futuro, que ela, claro, não podia responder.
O futuro é sempre incerto e estava longe de seu alcance oferecer a ele alguma garantia.
Ela pensou que a conversa não ia dar em nada, então resolveu apenas falar tudo.
Arriscou-se no tudo ou nada.
Foi sincera. Falou dos sentimentos que os separaram.
Das mágoas que os afastaram. Da espera. Das outras paixões. Da angústia. Da saudade. 
Do conformismo com o fim, e por fim, da esperança ressurgida numa ligação de uma tarde qualquer.
Mas ele ainda tinha remorsos passados, ainda estava preso a pequenas dúvidas que jamais seriam desvendadas. Uma vez que o passado não volta. Uma vez que a palavra dela já não lhe bastava.
Ela também tinha lá suas revoltinhas e pesares, mas há muito havia se desprendido de sofrer pelo que não poderia ser mudado.
Nada podia fazer pelo que já havia passado ou pelo futuro em perspectiva. Sua única proposta era o que de real tinha em mãos: o presente, o aqui e agora.
Cheio de bagagens, passagens, livros e obrigações, mas com um lugar especial, único e honesto. Que claro que queria ser mais do que antes, queria tê-lo mais perto, mas também queria um sentimento mais leve.
Porém, ele estava pesado. “Não mudou nada”, ela pensou.
Estava certa e errada. Ele era o mesmo, mas agora não mais escondia dela quem realmente era.
O seu “eu não confio em ninguém” soou aos ouvidos dela como um “eu não sou confiável”.
Afinal, é realmente difícil acreditar que há no outro algo que não vemos/sentimos em nós.
Mais a frente ele confirmaria isso com um audível “sou muito mentiroso”.
Bem, não havia muito mais a se dizer.
O que se passava na cabeça dele era uma incógnita pra ela.
Por outro lado, talvez ele tenha percebido a vontade dela de beijá-lo.
Talvez o desejo fosse recíproco. Pelo menos ambos fugiam de se olharem nos olhos por mais de alguns segundos.
Ela pensou em contar-lhe dos planos que inevitavelmente fez. Dos sonhos futuros que tivera pensando nele. Mas ele não lhe deu espaço para isso.
A mulher constatou que talvez não fosse dele que sentia falta, mas dos planos que havia feito com ele.
Se prepararam para sair. Comeram um pouco mais de doce e o bom humor voltou para aliviar o peso daquele encontro, daquele papo indefinido.
Suas mãos se tocaram, ela apertou seus dedos contra os seus.
Era um toque inesquecível. Sentiu vontade de não largar, e ele quis corresponder.
Mas foi complacente e não mais lhe deu falsas esperanças. 
Inevitável também foi os seus lábios não ficarem a um centímetro um do outro.
Cheiro, calor, pele, suor, mãos, lábios. Tudo tão perto. As lembranças os aproximaram.
E afastaram pouco tempo depois.
Ele não era mais dela. Mas precisava sentir aquilo.
Precisava sentir na pele a descoberta de que ela, também, não era mais dele.
Por que assim ainda se sentia. Mesmo sabendo do engodo e fantasia do pertencimento.
Na verdade, o que ela precisava sentir era que aquele homem nem era mais aquele lá dos seus sonhos.
Ela queria o aconchego de um sentimento verdadeiro, que só a ele um dia ofereceu.
Ele queria a comodidade de uma mulher para esperá-lo em casa, que não lhe desse trabalho, e quase ficou claro que poderia ser qualquer uma.
E junto com a esperança que ainda havia nela, o amor partiu.
Eram só velhos amigos voltando para a cidade natal.
Ele ainda incitou um pouco mais de espera, uma definição melhor após uma noite de sono.
Ela sentiu-se ser “cozinhada”, como ele fazia com as outras enquanto estava com ela.
Queria seguir em frente, sabia que era mais uma mentira. Que nem noites nem sono lhe ajudariam. Que suas queixas da atual namorada eram só desculpas.
Doía-lhe na alma entender o que acontecia. O fim era mais que perceptível. Era sinestésico.
E é claro que em meio a dor, ela ainda esperava. Ela sempre acredita nas pessoas.
Mesmo nele, que lhe pediu para não acreditar em ninguém, nem nele mesmo.
Mas ela era assim, defeito de fábrica. O que fazer?
Tinha como premissa de vida que deixar de acreditar no próximo seria como deixar de acreditar em si mesma. Como perder a fé. Como perder o sentido da vida.
Esperou e conforme o previsto, ele não apareceu.
Dois dias após, ela decidiu ir embora de vez.
Recolheu seus afetos retalhados e, antes que perdesse todo o crédito no amor, despediu-se dele, e foi de alma leve permitir-se a viver outra vez.

Denise Viana

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Myself


Quase tudo é ego
o amor, o ódio
o que digo e o que nego

Quase tudo é ego
o desejo, a repulsa
o que vejo e o que cego

Quase tudo é ego
o início, o fim
o que deixo e o que levo

                                      Denise Viana

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Chuva


Enfim choveu
E já podemos culpar a chuva
Os pingos frios
A poça d'água
A lama na estrada
Só não reclama o sertanejo
e as mulheres da caatinga
A meninada na rua brinca
e a moça que quer disfarçar o choro
Agradece

Chuva é assim
de um modo ou de outro
sempre nos afeta


Denise Viana

terça-feira, 17 de setembro de 2013

De alguma coisa que traz dúvida



 Da presença que se faz ausente
Quem sente?

Do grito que se cala
Quem ouve?

Dos olhos que se fecham
Quem vê?

Dos bem dizeres que se contradizem
Quem mente?

Do maleável que se endurece
Quem move?

Dos seres que não são
Quem ser?


 Denise Viana